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Blog do Falcão


NO CUME

No alto daquele cume

Plantei uma roseira

O vento no cume bate

A rosa no cume cheira

 

Quando vem a chuva fina

Salpicos no cume caem

Formigas no cume entram

Abelhas do cume saem

 

Quando cai a chuva grossa

A água do cume desce

O barro no cume escorre

O mato no cume cresce

 

Então quando cessa a chuva

No cume volta alegria

Pois torna a brilhar de novo

O sol que no cume ardia.

 

 

Muita gente boa supõe que essa magnífica e supimpa pérola literária seja de minha autoria. Porém, eu apenas fiz uma melodia para a dita cuja, a qual gravei no CD “Do penico à bomba atômica”, e ela tornou-se um dos grandes clássicos da MPB do B – Música Popular Brega do Brasil.

Essa lindeza de poema, vi eu, pela primeira vez no livro Ceará Moleque, de autoria de Plautus Cunha, já desencarnado. E é justamente o Plautus retrocitado aí atrás (vixe!), que figura lá no meu CD como autor de tal poesia.

No entanto, após o lançamento, e estrondoso sucesso da peça lítero-musical, pipocaram i-meios em minha caixa, reclamos, reprimendas e admoestações, de gente dos quatro ventos, relatando haver outros vários autores para a obra.

Então, sem mais nem menos, adentrei-me em tarefa internet-pesquisativa, no intuito de elucidar a verdade cristalina e estereofônica, de forma que durante dias só o cume interessava. Aí, descobri que, na rede pululam inúmeras versões  d’O cume. Mas, porém, a verdade parece que está no saite germinaliteratura.com.br; lá encontra-se o original de Laurindo Rabelo:

 

 

AS ROSAS DO CUME

 

No cume da minha serra

Eu plantei uma roseira,

Quanto mais as rosas brotam

Tanto mais o cume cheira.

 

À tarde, quando o sol posto,

E o vento o cume adeja,

Vem travessa borboleta,

E as rosas do cume beija.

 

No tempo das invernadas,

Que as plantas do cume lavam,

Quanto mais molhadas eram

Tanto mais no cume davam

 

Mas se as águas vêm correntes,

E o sujo do cume limpam,

Os botões do cume abrem,

As rosas do cume grimpam.

 

Tenho pois certeza agora

Que no tempo de tal rega,

Arbusto por mais cheiroso

Plantado no cume pega.

 

Ah! Porém o sol brilhante

Seca logo a catadupa;

O calor que a terra abrasa

As águas do cume chupa!

 

E o esclarecimento: “estes versos constam do livro Poesias livres, de Laurindo José da Silva Rabelo (Poeta Lagartixa. Rio de Janeiro, 1826-1864), publicado em folheto, em papel ordinário e por uma livraria-editora anônima do Rio de Janeiro, provavelmente em 1882. Foram tão populares em fins do século XIX, que chegaram a Portugal  em cópias manuscritas, mais do que clandestinas, sendo gravados em disco no início do século, por duas vezes, pelo menos, sob a indicação de “poesia carnavalesca”. Quem dá conta desta informação é José Ramos Tinhorão, no livro História social da música popular brasileira (São Paulo; Editora 34, 1998). Foram gravados em música, também, no Brasil, por Falcão, no CD Do penico à bomba atômica (2000), com o nome de “No Cume”, de autoria (?) de Falcão e Plautus Cunha".

 

* Se eu disser que pedra é pão, passe manteiga e jogue fora!

 



Escrito por Falcão às 11h34
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